PINTORA, ESCRITORA, FILÓSOFA, FOTÓGRAFA, PROFESSORA

 

foto: Stefania Brill - Acervo Instituto Moreira Salles

As mãos de Alice, ao fazer batik, em 1979, pelo olhar de Stefania Bril, que não era parente, mas grande amiga da artista.

Em dezembro de 2005, Alice Brill completou 85 anos. Logo antes, foi homenageada pela Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) pela trajetória nas Artes Plásticas, teve seu livro "Flexor" (prêmio APCA 1991, da Associação Paulista de Críticos de Arte) reeditado pela Edusp, e duas mostras realçaram seu trabalho fotográfico dos anos 1950: sala especial na exposição "Trajetórias", no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/USP) e "O Mundo de Alice Brill", organizada pelo Instituto Moreira Salles, que hoje detém a coleção dos 14 mil negativos que ela produziu naquele período. Agora, a mostra "Alice Brill - Batik e outras Artes" destaca batiks, pinturas, desenhos.

Filha do artista plástico alemão Erich Brill, morto prematuramente em campo de concentração na 2.ª Guerra Mundial, e da jornalista Marte Brill, autora do livro "Schmelztiegel", sobre a saga que a trouxe ao Brasil - tardiamente publicado na Alemanha em 2002 -, Alice migrou para nosso país em 1934 com sua mãe, aos 13 anos, para escapar do nazismo.

Decidida a abraçar o ofício paterno, já em 1940 passou a freqüentar o Grupo Santa Helena. Em seguida, com bolsa de estudos, cursou desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, história da arte, literatura e filosofia nos EUA. Entre seus mestres no Brasil, estão Paulo Rossi Ozir e Aldo Bonadei, do Santa Helena, Yolanda Mohaly, Poty e Hansen Bahia. Sua longa carreira resultou em mais de cem exposições individuais e coletivas (como a I Bienal de São Paulo em 1949) no Brasil e Exterior. E mais de 10 importantes prê-mios.

Mas a artista também foi fundadora do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), do Clube dos Artistas e Amigos da Arte de São Paulo, da Associação Brasileira de Pesquisadores em Arte. Formada em Filosofia Pura pela PUC/SP em 1975, fez mestrado e doutorado em Estética na USP. Publicou três livros: "Mário Zanini e seu Tempo" baseado no mestrado (Ed. Perspectiva, 1984), "Da Arte e da Linguagem" (Ed. Perspectiva, 1988) e "Flexor" (1990), além do capítulo sobre Artes Plásticas em "O Expressionismo" (org. Jacó Guinsburg, Ed. Perspectiva, 2002). A tese de doutorado "Viagens Imaginárias - transformação de uma técnica milenar em linguagem contemporânea", sobre o batik, permanece inédita.

Ao lado de tantas atividades profissionais, Alice, casada há 57 anos com Juljan Czapski, mãe de quatro filhos e com netos, também lecionou nas Faculdades de Filosofia Nossa Senhora do Patrocínio, em Itu (hoje Ceunsp) e Santa Marcelina, em São Paulo.

Texto de apresentação da mostra "Alice Brill - Batik e Outras Artes"

 

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