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VAMOS REAGIR?!?

(Publicado no URTIGA 162 - maio/junho2004- pág. 1)


Se depender dos planos anunciados pela Secretaria Estadual de Saúde, haverá grandes mudanças na área do Hospital de Hansenianos do Pirapitingui, com mais loteamentos, apesar de problemas de água e infraestrutura da região, e - da forma como aparentemete proposto - o projeto ser ilegal. Confira e reaja!!!

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Editorial do Jornal Urtiga 162
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Deu no jornal Cruzeiro do Sul em 30 de maio, antes de qualquer veículo de comunicação ituano. A Secretaria Estadual de Saúde planeja reformular a estrutura do hospital Francisco Ribeiro Arantes, hospital-colônia de Pirapitingui. Além de mudar o próprio hospital, está prevista a redivisão do seu território, de 264 hectares.

Fundado há exatos 71 anos, em junho de 1933, este hospital foi criado para abrigar os hansenianos, num tempo em que a doença não tinha cura e o doente vivia isolado da sociedade, inclusive para afastá-lo da convivência em sociedade, devido ao preconceito contra a lepra.Muitas vezes, famílias não aceitavam de volta quem sarasse. O local, que recebia hansenianos de todo país, chegou a ter 6 mil moradores.

Hoje, a estrutura ainda lembra uma pequena cidade, destas com igreja, ruas com obstáculos redutores de velocidade de veículos, necrotério e cemitério.De trezentas casas, 275 estão ocupadas. A estimativa, segundo o Cruzeiro do Sul, é de cerca de 600 pessoas vivendo nelas, entre ex-doentes e seus familiares. Em algumas, há mais de um ex-doente, como casais que se conheceram em Pirapitingui. O direito a viverem no local, atualmente já não isolados da sociedade, é garantido por lei há mais de 30 anos. Outras 150 pessoas, aproximadamente, permanecem na área asilar e na enfermaria. Em parte, são homens e mulheres com 60 a 100 anos, saúde debilitada, já sem vínculo com suas famílias.

Para o Cruzeiro do Sul, o diretor do hospital, Márcio da Cruz Leite, informou que as mudanças devem ser implementadas até 2006. Da área total, só 17 e 20 hectares permaneceriam reservados ao hospital, contendo a administração (na antiga Psiquiatria 2, reformada), enfermaria e área asilar. Outros 50 a 60 hectares se destinariam à parte comunitária, com as casas onde vivem ex-doentes e suas famílias, igreja e áreas de passeio. Para completar, cerca de 28 hectares - um trecho arborizado e plano -, seriam transformados em parque municipal, aberto à comunidade.

Estaria prevista, ainda, um novo prédio para abrigar o Centro de Desenvolvimento de Deficientes Mentais, a ser transferido para o centro de Itu, A área restante, mais de 100 hectares, seria disponibilizada para outras finalidades, como a construção de casas populares. A reportagem de Evenize Batista informa que a decisão atenderia as necessidades atuais. Alguns dos motivos alegados: 1- nenhum novo doente foi internado nos últimos anos; 2- o Ministério da Saúde lançou um programa para hanseníase que, além de prever a divulgação sobre a doença, propõe adequar os hospitais-colônia ainda em funcionamento no país; 3- o hospital de Pirapitingui seria o último para atender hansenianos em território paulista.

A jornalista retrata um conflito em torno da titulação das terras. Segundo o diretor do hospital, elas pertenceriam ao Estado, mas há questionamentos quanto à participação, ou não, da Caixa Beneficente do Hospital, principal entidade representativa dos pacientes. Declaração de Josuel Augusto Alves, presidente da Associação Permanente de Resgate à Cidadania dos Hansenianos, no jornal: "Isso é responsabilidade do Estado, que deixou essas terras ficarem embaraçadas, houve invasões, loteamentos pelo governo municipal e estadual, e o que sobrou querem barganhar com a gente, depois de toda uma vida de privação".

Mas há outra questão, não levantada na reportagem. O plano, como descrito, é fora da lei e pode contribuir para uma perda ainda maior da qualidade de vida dos ituanos. Os loteamentos Cidade Nova e Portal do Éden foram aprovados pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente com a condição de que lá não se criassem novos loteamentos, sem provar e aprovar a viabilidade sócio-ambiental do empreendimento, em estudo de impacto ambiental.

Se o distrito de Pirapitingui cresceu, até meados dos anos 1980, praticamente em função do hospital, hoje, ele vive a conseqüência da implantação destes bairros populares. Lá vivem mais de 40 mil pessoas, em grande parte provenientes de outras regiões, atraídas pela possibilidade de um teto. Teto é importante, mas sem emprego, cria-se uma situação social instável, onde todos se perdem. Foi o que ocorreu. Veja-se, por exemplo, o aumento da violência, inclusive na área rural...

Outro problema, de solução ainda mais difícil, é a falta d'água. Se hoje ela acontece em períodos mais secos, o que acontecerá com ainda mais moradores em Pirapitingui? Para lembrar: as casas dos bairros populares no distrito foram prometidas e entregues em períodos pré-eleitorais. Veremos a mesma história novamente? É preciso reagir agora, para evitar mais problemas no futuro .

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